Tendo em vista tendências no mundo corporativo, percebemos um crescente interesse nas empresas em gerar negócios através do seu site. Em alguns casos esses negócios são diretos, como e-commerce. Em outros os ganhos são indiretos mas não menos poderosos.
Em matéria publicada no jornal O Globo de 27 de setembro de 2009, o consultor Ian Black, especialista em marketing viral e estratégias em redes sociais, explica que a internet amplifica a possibilidade de os consumidores falarem das empresas em seus vários canais (blog, Twitter, Orkut, YouTube), mas isso representa riscos e oportunidades:
- Uma opinião sobre a empresa fica na web e pode ser recuperada a qualquer hora. Cabe a ela tirar proveito disso. É possível monitorar tudo o que se refere à empresa, evitar crises e conhecer melhor o consumidor. Mas já está claro que esse tipo de exposição obriga a empresa a ser mais verdadeira, a não prometer o que não vai cumprir, pois é fácil desmascarar uma oferta falsa, e essa informação será disseminada rapidamente.
Tão ou mais importante que essa presença é a estruturação do conhecimento gerado/utilizado da empresa. Pouquíssimas se preocupam com isso hoje em dia, mas a verdade é que da mesma forma que pessoas fazem diferença pelos seus conhecimentos e expertises, empresas não podem depender de suas presenças físicas. A única maneira de fazer isso é "controlando" todo o conhecimento gerado internamente – mas que isso não seja entendido como censura!
É claro que aquele conhecimento específico que existe na cabeça de cada um é exclusividade do seu dono, mas é claro também que várias cabeças juntas formam o bem mais valioso! Se o que cada colaborador de uma dada empresa sabe, puder ser compartilhado de alguma forma, acessado e utilizado por outros para retroalimentar essa cadeia de conhecimento, esse bem, antes intangível, passa a ser administrável e rico. Esse é o desafio de um bom projeto de gestão de conhecimento: fazer com que todo e qualquer conhecimento gerado, produzido e utilizado dentro da empresa possa ser controlado (no sentido de gestão) e disseminado para todos os seus colaboradores.
Ganhos aqui indiretos são os mais valiosos que se pode ter.
1.) GESTÃO DE CONHECIMENTO
Que conhecimento é esse? Onde ele está? Como ele é gerado, aumentado, acessado? Para onde ele tende crescer? Como ele deve ser organizado? De que maneira ele deve ser consultado? Tudo se relaciona com tudo? Quais são essas variáveis? Quais são as formas de resgate de informação? Para que e como as informações precisam ser resgatadas? Essas e outras perguntas fazem parte da primeira fase do projeto.
De uma forma ilustrada é como se fôssemos avaliar um acervo para construção de uma biblioteca. A partir do entendimento desse acervo - quantos e quais títulos, assuntos, autores, datas, países, bem como formato, periodicidade de aquisição, etc. - podemos definir o tamanho da sala, a quantidade de prateleiras, os rótulos de cada seção, os itens mais fáceis de acessar, a maneira de monitorar empréstimos bem como em quanto tempo essa sala deverá receber novas estantes e até mesmo aumentar de tamanho.
2.) ESTRUTURA TECNOLÓGICA
Com essas informações já conseguimos preparar o terreno para a construção da biblioteca. É hora de trabalhar a tecnologia. Mas a infra-estrutura física é apenas parte desse trabalho. Hoje uma boa porção de tempo e esforço está na montagem de estruturas inteligentes para gestão desse conhecimento. Web semântica, redes neurais, bioinformatica: tecnologia para suporte a essa gestão de conhecimento.
Essa é uma área inovadora, pesquisa de ponta e se encontra nas universidades. Um bom projeto nesse sentido une iniciativa privada e instituições de ensino, como deve ser.
3.) MINERAÇAO DE DADOS
Com todo o conhecimento entendido, cada unidade de informação contemplada, com a infra-estrutura física e lógica, é hora de trabalhar. Todo o processo diário da empresa de geração, resgate e retroalimentação de informação pode agora ser gerido, observado, relatado e analisado para tomada de decisão: seja rumos ou ações de marketing; (re)posicionamento estratégico ou campanhas.
Esse é um serviço muitas vezes feito internamente na empresa, mas a verdade é que é um trabalho hercúleo que exige uma dedicação intensa. O software – comum hoje em dia – é o investimento mais simples. Ter pessoas capazes de perceber comportamentos nos dados e apontar tendências é o grande pulo do gato aqui. Os dados gerados constantemente são dados e apresentam pregnância aqui ou ali, mudança de comportamento repentino, situações que não exigem um conhecimento específico da área da empresa em questão, mas basicamente atenção de mineradores desses dados.
Essa é a terceira, mas não última etapa do processo. Não é a última porque isso é um ciclo. Todo bom projeto de gestão de conhecimento não termina nunca. O resultado da mineração bem como o dia-a-dia da empresa leva a novas descobertas, novos rumos e nova análise desse conhecimento. Que por sua vez leva a novos investimentos em estrutura tecnológica e o trabalho de mineração continuando...
Um projeto nesse sentido é longo, custoso, embora diluído pelo tempo de desenvolvimento, mas extremamente enriquecedor! As empresas que hoje estão trabalhando nesse sentido estarão em muito pouco tempo há anos luz de suas concorrentes.